Perspectivas teóricas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH) e a medicalização da educação
PDF

Palavras-chave

TDAH
Perspectivas teóricas
Medicalização da Educação

Como Citar

Conrado, S. M., & Encarnação Júnior, A. C. D. da. (2021). Perspectivas teóricas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH) e a medicalização da educação. Docent Discunt, 2(1), 38–59. https://doi.org/10.19141/2763-5163.docentdiscunt.v2.n1.p38-59

Resumo

O presente artigo apresenta uma síntese dos pressupostos teóricos acerca do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), considerando tanto o saber médico quanto o saber à luz da psicologia histórico-cultural. Dentro da perspectiva organicista, é descrito o histórico do TDAH na literatura médica, caracterização, conceituações, etiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento medicamentoso e os possíveis riscos do consumo prolongado de substâncias psicoativas por crianças e adolescentes. Contrapondo essa concepção demonstra-se, através dos estudos dos autores da perspectiva historicista, o processo de constituição da atenção voluntária e a natureza social de desenvolvimento desta função psíquica superior, sob condições sociais favoráveis a seu desenvolvimento, possibilitando construir um novo olhar do TDAH. E por fim, frente ao crescimento de diagnósticos relativos às dificuldades de comportamento e de aprendizagem no processo de escolarização, analisa-se o fenômeno da medicalização e seu movimento na educação, permitindo refletir em questões sociais, éticas, políticas, econômicas e práticas pedagógicas.

https://doi.org/10.19141/2763-5163.docentdiscunt.v2.n1.p38-59
PDF

Referências

AITA, E. B.; FACCI, M. G. D. Trastorno de Déficit de Atención e Hiperatividade y el proceso de biologizaciób y medicalización de las quejas escolares. Eureka, Assunção, v. 15, n. 1, p. 121-135, 2018. Disponível em: https://bit.ly/35DC0uO. Acesso em: 15 maio 2021.

ARAÚJO, R. C.; SANTOS, I. S. TDAH no contexto escolar: fracasso escolar ou sucesso do sujeito. Disponível em: https://bit.ly/3qjixsP. Acesso em: 10 jun. 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. Carta aberta à população. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3vLclLh. Acesso em: 17 jun. 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SAÚDE MENTAL (ABRASME). Transtorno de déficit de atenção e

hiperatividade (TDAH) e a iniciativa exemplar da SMS de São Paulo. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3zGx9qt. Acesso em: 10 jul. 2020.

AZEVEDO, L. J. C. Considerações sobre a medicalização: perspectiva cultural contemporânea. CES PSICO, Rio de Janeiro, v. 11, p. 1-12, 2018. Disponível em: https://bit.ly/3cXtXNF. Acesso em: 17 ago. 2020.

BONADIO, R. A. A.; MORI, N. B. R. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: diagnóstico e práticas pedagógicas. Maringá: Abeu, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3j0aMXk. Acesso em: jan. 2020.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boletim Brasileiro de Avaliação de

Tecnologias em Saúde (BRATS). Metilfenidato no tratamento de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, Brasília, v. 8, n. 23, mar. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2SdYL5q. Acesso em: 03 jul. 2020.

BRASIl. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Boletim de Farmacoepidemiologia, Brasília, ano 2, n. 2, p. 1-14, jul.-dez. 2012. Disponível em: https://bit.ly/3gI6Qsp. Acesso em: 01 jun. 2020.

BIANCHI, E. ¿De qué hablamos cuando hablamos de medicalización? Sobre adjetivaciones,

reduccionismos y falacias del concepto en ciencias sociales. Revista latinoamericana de metodología de las ciencias Sociales, v. 9, n. 1, p. 1-24, jun.-nov. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3wML9NI. Acesso em: 28 nov. 2020.

BIANCHI, E.; FARAONE, A. S. El Transtorno por Déficit de atención e hiperactividad (TDA/H). Revista de saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 25- 98, 2015. Disponível em: https://bit.ly/35UA8y9. Acesso em: 20 ago. 2020.

CASTILHA, C. J. L. La Medicalización de la infancia en salud mental: el caso paradigmático de los trastornos de atención. Papeles del psicólogo, v. 36, n. 3, p. 174-18, 2015. Disponível em: https://bit.ly/2Sg99cV. Acesso em: 29 nov. 2020.

CONDEMARÍN, M.; GOROSTEGUI, E. G.; MILICIC, N. Déficit atencional: estrategias para el diagnósticos y la intervención psicoeducativa. 5 ed. Buenos Aires: Ariel, 2014.

CONSELHO FEDERAL DE FARMACIA (CFF). Protocolo de uso de metilfenidato: restrição da liberdade de prescrição e do acesso ou busca do uso racional? A discussão em torno da Portaria n° 986-SMS.G, de São Paulo, de 12 de junho de 2014, Boletim Farmacoterapêutica, 2015. Disponível em: <https://bit.ly/3qdfH8R>. Acesso em: 18 jun. 2020.

DE PAULA, E. M. S.; NAVAS, A. L. Caracterização das alterações de leitura em crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: revisão de literatura. Revista Cefac, v. 20, n. 6, p. 785-797, nov.-dez. 2018. Disponível em: https://bit.ly/2UrZKjr. Acesso em: 14 ago. 2020.

EIDT, N.; TULESKI, S.; FRANCO, A. Atenção não nasce pronta: o desenvolvimento da atenção voluntária como alternativa à medicalização. Nuances: estudos sobre educação, Presidente Prudente, SP, v. 25, n. 1, p. 78-96, jan.-abr. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3xDjIWG. Acesso em: 27 jul. 2020.

ELKONIN, D. Psicologia Evolutiva e Pedagógica na URSS: Antologia. In: ELKONIN, D. Sobre o problema da periodização do desenvolvimento psíquico na infância. Moscú: Editorial Progreso, 1987, p. 149-171.

EUROPEAN MEDICINES AGENCY (EMEA). European Medicines Agency makes medicines recommendations for safer use of Ritalin and other methylphenidate-containing in the EU. Press office, Londres, jan. 2009. Disponível em: https://bit.ly/3wQgqPK. Acesso em: 18 ago. 2020.

FERNÁNDEZ, G. V. F. Prehistoria del TDAH: aditivos para un diagnóstico insostenible. Papeles del psicólogos, v. 38, n. 2, p. 107-115, 2017. Disponível em: https://bit.ly/2TSvGNz. Acesso: 10 fev. 2021.

KEMPER, A. R. et al. Attention Deficit Hyperactivity Disorder: diagnosis and treatment in children and adolescents. Comparative effectiveness review, n. 203, p. 1-120, 2013. Disponível em: https://bit.ly/3wXIlNy. Acesso em: 10 jun. 2020.

LEONARDO, N. S. T.; SUZUKI, M. A. Medicalização dos problemas de comportamento na escola: perspectivas de professores. Revista de psicologia, v. 28, n. 1, p. 46-54, jan.-abr. 2016. Disponível em: https://bit.ly/3iVw9J5. Acesso em: 10 maio 2021.

MACHADO, F. S. N. et al. Uso de metilfenidato em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Ver saúde pública, v. 49, n. 32, p. 1-5, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3cZ3DTc. Acesso em: 20 jul. 2020.

MANUAL DISGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS (DSM-5). American psychiatric association. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

MARTINS, L. O desenvolvimento do psiquismo e a educação escolar: contribuições à luz da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica. Interface - comunicação, saúde, educação, São Paulo, v. 16, n. 40, p. 19-38, 2012. Disponível em: https://bit.ly/35Cx7lQ. Acesso em: 10 jul. 2020.

MATTOS, P.; ROHDE, L. A.; POLANCZYK, G.V. ADHD is undertreated in Brazil. Revista brasileira de psiquiatria, n. 34, p. 513-516, 2012. Disponível em: https://bit.ly/3iZf94E. Acesso em: 15 jun. 2020.

MEIRA, E. M. M. Para uma crítica da medicalização na educação. Revista de Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 16, n. 1, p. 135-142, -. Disponível em: <https://bit.ly/3qgCJvx>. Acesso em: 10 maio de 2021.

FACCI, M. G. D, et al. A exclusão dos “incluídos: uma crítica da Psicologia da Educação à patologização e medicalização dos processos educativos. In: MOISÉS, M. A. A.; COLLARES, C. A. L. O lado escuro da dislexia e do TDAH. Maringá: Eduem – UEM, 2011, p. 133-195.

MOTA, D. M; DE OLIVEIRA, M. G. Prescrição e consumo de metilfenidato no Brasil: identicando riscos para o monitoramento e controle sanitário. 2012. Boletim de farmacoepidemiologia do SNGPC. Disponível em: https://bit.ly/3qgEVD2. Acesso em: 18 jun. 2020.

NUNES, M. E. N. Caracterização do diagnóstico e tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) realizada por uma amostra de neurologistas infantis brasileiros. 2019. 120 ff. Dissertação (Mestrado Profissional em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3vFftbL. Acesso em: 10 jul. 2020.

OLTRAMARI, L. C.; FEIROSA, L. R. C.; GESSER, M. Psicologia Escolar e Educacional: processos educacionais e debates contemporâneos. In: GROFF, A. R.; SOUZA, S. V. Práticas medicalizantes: contribuições da psciologia educacional na formação inicial e continuada de docentes. Florianópolis: Edições do Bosque, 2020, p. 33-53.

ONU. Report of the international narcotics control board for 2015. Disponível em: https://bit.

ly/2SIsfJb. Acesso em: 11 out. 2020.

PAPALIA, D. E.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

PASQUALINI, J. A perspectiva histórico-dialética da periodização do desenvolvimento Infantil. Psicologia em estudo, Maringá, v. 14, n. 1, p. 31-40, 2009. Disponível em: https://bit.ly/3cWFE74. Acesso em: 16 out. 2020.

PERRY, B. D. In.: BOFFEY, D. Children’s hyperactivity ‘is not a real disease’, says US expert. The Guardian, Londres, 30 mar. 2014. Disponível em: https://bit.ly/35FJeyv. Acesso em: 18 jun. 2020.

PINOCHET-QUIROZ, P. et al. Propiedades psicométricas del inventario CABI para la determinación del TDAH. Rev. Ecuat. de Neurol., Talca, Chile, v. 29, n. 3, p. 31-39, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3vEMfcY. Acesso em: 15 maio 2021.

RIBEIRO, M. I. S.; VIÉGAS, L. S.; OLIVEIRA, E. C. O diagnóstico de TDAH na perspectiva de estudantes com queixa escolar. Revista práxis educacional, Vitória da Conquista, Bahia, v. 15, n. 36, p. 178-201, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3wMHWNV. Acesso em: 09 maio 2021.

SANTANA, C. G. C.; GONÇALVEZ, L. R. Educação, patologização e medicalização: é possível quebrar essa corrente? Educação em foco: revista de educação, Juiz de Fora, Minas Gerais, v. 24, n. 3, p. 827-848, dez. 2019. DOI: https://bit.ly/35E531t. Acesso em: 15 out. 2020.

SÃO PAULO. Secretaria Municipal da Saúde. Portaria Secretaria da Saúde – SMS nº 986, de 11 de junho DE 2014. Disponível em: https://bit.ly/3gSEgU3. Acesso em: 10 out. 2020.

SIGNOR, R. C. F.; BERBERIAN, A. P.; SANTANA; A. P. A medicalização da educação: implicações para a constituição do sujeito/aprendiz, Educação e Pesquisa, v. 43, n. 3, p. 743-763, 2017. Disponível em: https://bit.ly/3h6djN9. Acesso em: 15 jun. 2020.

SMITH, M. The hyperactive state: ADHD in its historical context. Londres, 2014. Disponível em: https://bit.ly/3j5QJGG. Acesso em: 15 set. 2020.

SORBARA, G. Geração psicoestimulantes: problemas pedagógicos e políticos, Revista on-line de política e gestão educacional, Araraquara, n. 2012, p. 48-60. Disponível em: https://bit.ly/3gIEPBa. Acesso em: 08 set. 2020.

TULESKI, S. A unidade do psiquismo humano para vigotski e a desagregação desta na esquizofrenia. Psicologia: teoria e pesquisa, Brasília, v. 35, p. 1-11, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3wNkvEa. Acesso em: 17 nov. 2020.

VYGOTSKY, L. S. Obras escogidas. Tomo III. In: VYGOTSKY, L. S. Dominio de la atención. Madrid: Visor, 1995, p. 212-245. Disponível em: <https://bit.ly/2SU0IUV>. Acesso em: 12 nov. 2020.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. In: LEONTIEV, A. R. Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psiqui infantil. 11 ed. São Paulo: Ícone, 2010, p. 59-83.

VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. In: LURIA, A. R. A psicologia experimental e o desenvolvimento infantil. 11 ed. São Paulo: Ícone, 2010, p. 85-102.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2021 Docent Discunt

Downloads

Não há dados estatísticos.