A concepção de Deus entre gregos e romanos: da mitologia e filosofia clássicas à teologia cristã
DOI:
https://doi.org/10.19141/1809-2454.kerygma.v21.n1.pe2242Palavras-chave:
doutrina de Deus, mitologia grega, filosofia clássica, religião romana, teologia cristãResumo
Este ensaio examina como gregos e romanos conceberam a divindade e de que modo essas concepções, filtradas pela filosofia clássica e pela religião oficial de Roma, chegaram à teologia cristã. Parte-se da religiosidade grega anterior a Homero e dos poemas homéricos e hesiódicos, nos quais os deuses aparecem antropomórficos, caprichosos e sujeitos ao destino, e se analisam noções como hamartia, hubris e themis, além da busca por heróis que mediassem entre humanos e deuses. Em seguida, discute-se a crítica filosófica ao politeísmo, de Xenófanes a Sócrates, Platão e Aristóteles, com atenção ao daimōn socrático, ao demiurgo platônico e ao primeiro motor aristotélico, cujas ideias de atemporalidade e imobilidade divina marcaram a teologia posterior. A religião romana é acompanhada nos períodos monárquico, republicano e imperial, com destaque para a teologia tripartida de Varrão, o culto ao imperador e a interpretatio aplicada aos deuses dos povos conquistados. Por fim, o ensaio apresenta a resposta de Paulo a esse ambiente e aponta três fatores que afastaram a teologia pós-apostólica de suas raízes bíblicas: o distanciamento do judaísmo, o apreço excessivo pela filosofia grega e as concessões feitas a partir de Constantino. A filosofia pode contribuir para o discurso teológico, desde que não ocupe o lugar das Escrituras na formulação da doutrina de Deus.
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