Estratégias narrativas na construção da memória coletiva em Vozes de Tchernóbil de Svetlana Aleksiévitch
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Mots-clés

livro-reportagem
memória coletiva
narrativa
Vozes de Tchernóbil

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SILVEIRA, A. C. Estratégias narrativas na construção da memória coletiva em Vozes de Tchernóbil de Svetlana Aleksiévitch. Crosspoint - Revista de Estudos Interdisciplinares em Comunicação, Engenheiro Coelho, SP, v. 2, n. Crosspoint, p. e02188, 2026. DOI: 10.19141/Crosspoint.v2.2026.2188. Disponível em: https://revistas.unasp.edu.br/crosspoint/article/view/2188. Acesso em: 27 oct. 2026.

Résumé

Este artigo analisa as estratégias narrativas mobilizadas por Svetlana Aleksiévitch em Vozes de Tchernóbil para a construção da memória coletiva do desastre nuclear de 1986. A obra, premiada com o Nobel de Literatura em 2015, é composta por depoimentos organizados em estrutura de coro e constitui um dos exemplos mais complexos do livro-reportagem como gênero jornalístico-literário. A pergunta que orienta a pesquisa é: como as estratégias narrativas de Aleksiévitch constroem a memória coletiva do desastre nuclear de 1986? A partir de análise de conteúdo qualitativa do corpus, o estudo examina quatro dimensões da obra articuladas aos referenciais de Halbwachs, Pollak, Sarlo, Bakhtin, Martinez, Arfuch e Assmann: a estrutura polifônica dos coros de vozes; a transcrição da oralidade e o tratamento dos silêncios como recursos discursivos; a subjetividade e a materialidade invisível da radiação como dispositivos narrativos; e a função do texto como espaço de recordação cultural. O argumento central é que as escolhas formais de Aleksiévitch são epistêmicas: é por meio delas que aquilo que a história oficial silenciou se torna legível. O livro-reportagem revela-se, assim, como dispositivo de construção e preservação da memória coletiva de experiências traumáticas.

https://doi.org/10.19141/Crosspoint.v2.2026.2188
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© Ana Clara Silveira do Amaral 2026