Résumé
Este artigo analisa as estratégias narrativas mobilizadas por Svetlana Aleksiévitch em Vozes de Tchernóbil para a construção da memória coletiva do desastre nuclear de 1986. A obra, premiada com o Nobel de Literatura em 2015, é composta por depoimentos organizados em estrutura de coro e constitui um dos exemplos mais complexos do livro-reportagem como gênero jornalístico-literário. A pergunta que orienta a pesquisa é: como as estratégias narrativas de Aleksiévitch constroem a memória coletiva do desastre nuclear de 1986? A partir de análise de conteúdo qualitativa do corpus, o estudo examina quatro dimensões da obra articuladas aos referenciais de Halbwachs, Pollak, Sarlo, Bakhtin, Martinez, Arfuch e Assmann: a estrutura polifônica dos coros de vozes; a transcrição da oralidade e o tratamento dos silêncios como recursos discursivos; a subjetividade e a materialidade invisível da radiação como dispositivos narrativos; e a função do texto como espaço de recordação cultural. O argumento central é que as escolhas formais de Aleksiévitch são epistêmicas: é por meio delas que aquilo que a história oficial silenciou se torna legível. O livro-reportagem revela-se, assim, como dispositivo de construção e preservação da memória coletiva de experiências traumáticas.
Références
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© Ana Clara Silveira do Amaral 2026
