Suporte Organizacional e Transtorno Mental Comum: O Efeito Mediador da Qualidade de Vida na Inibição da Ansiedade, Depressão e Estresse em Servidores do Ministério Público no Estado do Ceará (Brasil)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.19141/jils.v14ilifestyle.2059

Palavras-chave:

Suporte Organizacional, Qualidade de Vida, Ansiedade, Depressão, Estresse, Mediação

Resumo

Introdução: Partiu-se do entendimento de que o trabalho pode promover saúde ou adoecimento, conforme a combinação de demandas, recursos e fatores psicossociais.

Objetivo: investigou a relação entre trabalho, suporte organizacional percebido (SOP), qualidade de vida (QV) e saúde mental (ansiedade, depressão e estresse) em técnicos ministeriais do Ministério Público do Estado do Ceará, considerando as diretrizes OMS/OIT (2022) e a Resolução nº 265/2023 do CNMP.

Método: Participaram 30 técnicos (29–52 anos; M = 35,82; DP = 14,71), 55% mulheres, 64% casados, 63% graduados em Direito e 88% com especialização. A maioria trabalha manhã e tarde (94%). Quanto às condições laborais, 70% relataram acúmulo de trabalho e 85% referiram dores corporais associadas; 62% não recorreram a tratamento psiquiátrico e 64% não fizeram/fazem psicoterapia. Em contrapartida, 88% realizam atividade física, sendo 70% três ou mais vezes por semana.

Resultados: Os instrumentos do suporte organizacional (SOP), qualidade de vida (QV) e transtorno emocional comum apresentaram boa confiabilidade. Nas regressões múltiplas (método Enter), o SOP não apresentou efeito preditivo significativo sobre ansiedade, depressão ou estresse. A QV foi a variável mais relevante: maior QV predisse, de forma negativa, menores níveis de ansiedade, depressão e estresse, ainda que nem todas as dimensões fossem consistentes em todos os desfechos. Na mediação, o SOP não influenciou a QV, mas a QV manteve efeito protetivo, reforçando a prioridade de políticas de QV e gestão de demandas alinhadas ao CNMP.

Conclusão: Isso sugere intervenções sistemáticas: revisão de cargas, ampliação de recursos, apoio psicossocial, ações de QV, monitoramento contínuo e avaliação de resultados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andrea Cristina Fermiano Fidelis, Universidade Potiguar (UnP), Rio Grande do Norte, RN

PhD em Marketing e Estratégia pela Universidade de Aveiro/Portugal (2021); Mestre em Administração pela UCS (2016); Especialização em Psicologia Organizacional - FADERGS (2013); Graduação em Psicologia pela UNISINOS (1992). Docente Stricto Sensu em Psicologia Organizacional e do Trabalho (UnP - Universidade Potiguar); coordenadora do curso de graduação em Psicologia e docente no grupo UNIFTEC (Ibgen e Ftec Porto Alegre); Sólida experiência na área de Gestão de Pessoas com atuação profissional como consultora em gestão, coordenação de Recursos Humanos e Desenvolvimento Humano. Experiência em cursos livres nas áreas de Gestão de Pessoas, Liderança e Psicologia Aplicada. Pesquisadora na área da Psicologia Positiva, Comportamento Organizacional Positivo, Liderança, Inteligência Emocional e Inteligência Espiritual.

Amanda Maria Saturnino De Andrade Dantas , Universidade Potiguar (UnP), Rio Grande do Norte, RN

Mestranda em Psicologia na Universidade Potiguar. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Campina Grande(2009). Atualmente é Técnico Ministerial da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Ceará. Tem experiência na área de Direito. 

Nilton Soares Formiga, Universidade Potiguar (UnP), Rio Grande do Norte, RN

doutorou-se, também, na UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, na pós-gradução em Psicologia Social. Em 2015 realizou o estagio de pós-doutorado na UFRRJ, supervisionado pelo Dr. Marcos Aguiar. Em 2023 realizou o estágio de pós-doutorado na Universidade de Aveiro, supervisionado pelo Dr. Antonio Jorge Fernandes.Lecionou em instituições publicas e privadas no Brasil. Publicou artigos em periódicos nacionais e internacionais, revista e jornais de circulação possui capítulos de livros. Participou de entrevistas em rádio, televisão e jornal escrito.Realizou trabalhos relevantes de palestras em instituições escolares e não escolares privadas e publicas. Assessorou projetos em saúde coletiva junto a UNESCO e OPAS, teses e dissertações nacionais e internacionais.É avaliador de Revista nacionais e internacionais. Recebeu prêmios e/ou homenagens de reconhecimento cientifico. Atua na área de Psicologia, com ênfase em Papéis e Estruturas Sociais; Indivíduo. Em suas atividades profissionais interagiu com colaboradores nacionais e internacionais em co-autorias de trabalhos científicos. Atualmente, é professor/pesquisador no programa de pós-graduação (mestrado) em psicologia organizacional e do trabalho e (doutorado) em Administração na Universidade Potiguar (UNP).

Referências

AHUMADA, H. T.; MARTÍNEZ, M. R. Conceptos básicos en la evaluación del riesgo psicossocial en los centros de epress. In: GARCÍA, A. J.; ÁVILA, A. C. (org.). Reflexiones teórico-conceptuales de lo psicossocial en el epress. Juan Pablos Editor, 2011. p. 95-112.

ANDRADE, L. C.; TEIXEIRA, A. J. C.; FORTUNATO, G.; NOSSA, V. Determinantes para a utilização de práticas de contabilidade gerencial estratégica: um estudo empírico. Revista de Administração Mackenzie, v. 14, n. 1, 2013. DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-69712013000100005

AQUINO, A. D.; FERNANDES, A. C. Qualidade de vida no trabalho. Journal of Health Science Institute, v. 31, n. 1, p. 53-58, 2013.

BATISTA, M. B. B.; ANTUNES, L. C.; IIZUKA, E. S. Qualidade de vida no trabalho e a produção acadêmica: visita aos anais dos ENANPADs de 2001 a 2011. In: ENCONTRO DA ANPAD, 26., 2012, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: ANPAD, 2012. Disponível em: https://arquivo.anpad.org.br/diversos/down_zips/63/2012_GPR1993.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.

BENDASSOLLI, P. F. Reconhecimento no trabalho: perspectivas e questões contemporâneas. Psicologia em Estudo, v. 17, n. 1, p. 37-46, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-73722012000100005

BOUFFARTIGUE, P. Le travail à cœur: pour en finir avec les risques psychosociaux. Paris: Éditions La Découverte, 2012.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12 dez. 2025.

CAMPOLINA, A. G.; BORTOLUZZO, A. B.; FERRAZ, M. B.; CICONELLI, R. M. Validação da versão brasileira do questionário genérico de qualidade de vida Short-Form 6 Dimensions (SF-6D Brasil). Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 7, p. 3103-3110, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-81232011000800010

CAMPOLINA, A. G.; CICONELLI, R. M. O SF-36 e o desenvolvimento de novas medidas de avaliação da qualidade de vida. Acta Reumatológica Portuguesa, v. 33, p. 127-133, 2008.

CICONELLI, R. M. et al. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico SF-36. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 39, n. 3, p. 143-150, 1999.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Bem viver: saúde mental no Ministério Público. Brasília: CNMP, 2021.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Resolução nº 265, de 3 de julho de 2023. Brasília: CNMP, 2023. Disponível em: https://cnmp.mp.br. Acesso em: 12 dez. 2025.

COSTA, L. S.; SANTOS, M. Fatores psicossociais de risco no trabalho: lições aprendidas e novos caminhos. International Journal on Working Conditions, n. 5, p. 39-58, 2013.

DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

DEJOURS, C. Psicodinâmica do trabalho: casos clínicos. Porto Alegre: Dublinense, 2017.

DEJOURS, C.; DESSORS, D.; DESRIAUX, F. Por um trabalho fator de equilíbrio. Revista de Administração de Empresas, v. 33, p. 98-104, 1993. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-75901993000300009

DEPRÁ, G.; ALMEIDA DOS SANTOS, L.; MARCHI, J. A influência do suporte organizacional no desempenho profissional. Disciplinarum Scientia, v. 17, n. 1, p. 73-86, 2021. DOI: https://doi.org/10.37778/dscsa.v17i1.3894

EISENBERGER, R. et al. Perceived organizational support. Journal of Applied Psychology, v. 71, n. 3, p. 500-507, 1986. DOI: https://doi.org/10.1037//0021-9010.71.3.500

EISENBERGER, R. et al. Reciprocation of perceived organizational support. Journal of Applied Psychology, v. 86, p. 42-51, 2001. DOI: https://doi.org/10.1037/0021-9010.86.1.42

FAUL, F. et al. G*Power 3: a flexible statistical power analysis program. Behavior Research Methods, v. 39, n. 2, p. 175-191, 2007. DOI: https://doi.org/10.3758/BF03193146

FIDELIS, A. C. F.; FONSECA, M. D. A.; FORMIGA, N. S. Suporte organizacional, qualidade de vida e saúde mental. Aurum Revista Multidisciplinar, v. 1, n. 9, p. 523-542, 2025. DOI: https://doi.org/10.63330/armv1n9-042

FORMIGA, N. S. Valores humanos e sexismo ambivalente. Revista do Departamento de Psicologia UFF, v. 19, n. 2, p. 381-396, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-80232007000200009

FORMIGA, N. S. et al. Evidências de validade da escala de suporte organizacional. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, v. 5, n. 2, p. 60-76, 2014. DOI: https://doi.org/10.5433/2236-6407.2014v5n2p60

FORMIGA, N. S. et al. Predição do transtorno emocional em trabalhadores. Research, Society and Development, v. 10, 2021. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i7.16720

FORMIGA, N. S.; PAULA, N. H. M. M.; SILVA, A. K. L. Suporte organizacional e danos relacionados ao trabalho. Revista de Carreiras e Pessoas, v. 12, n. 2, p. 280-302, 2022. DOI: https://doi.org/10.23925/recape.v12i2.50236

FRANCO, T.; DRUCK, G.; SELIGMANN-SILVA, E. Relações de trabalho e transtornos mentais. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 35, n. 122, p. 229-248, 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S0303-76572010000200006

FREITAS, L. M. et al. Qualidade de vida e transtorno emocional em servidores públicos. Aurum Revista Multidisciplinar, v. 1, n. 9, p. 437-463, 2025. DOI: https://doi.org/10.63330/armv1n9-038

GLINA, D. M. R. et al. Saúde mental e trabalho. Cadernos de Saúde Pública, v. 17, n. 3, p. 607-616, 2001. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2001000300015

HAIR, J. et al. Multivariate data analysis. Boston: McGraw-Hill, 2008.

JESUS, S. A. et al. Estresse ocupacional e saúde mental. Brazilian Journal of Biological Sciences, v. 11, 2024. DOI: https://doi.org/10.21472/bjbs.v11n25-016

LAGUARDIA, J. et al. Psychometric evaluation of SF-36. Health and Quality of Life Outcomes, v. 9, p. 61, 2011. DOI: https://doi.org/10.1186/1477-7525-9-61

LEITE E SILVA, S. N. Qualidade de vida e danos relacionados ao trabalho. 2025. Dissertação.

LIMA, F. B. Stress e qualidade de vida no trabalho. 2004. Dissertação.

LIMONGI-FRANÇA, A. C. Qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Atlas, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-75902005000100011

LOVIBOND, P. F.; LOVIBOND, S. H. The structure of negative emotional states. Behaviour Research and Therapy, v. 33, p. 335-343, 1995. DOI: https://doi.org/10.1016/0005-7967(94)00075-U

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Gestão dos riscos psicossociais. Genebra: OIT, 2020.

PATRÍCIO, A. C. C. et al. Fatores psicossociais no trabalho. Revista Contemporânea, v. 3, n. 12, 2023. DOI: https://doi.org/10.56083/RCV3N12-227

RHOADES, L.; EISENBERGER, R. Perceived organizational support: a review. Journal of Applied Psychology, v. 87, n. 4, p. 698-714, 2002. DOI: https://doi.org/10.1037/0021-9010.87.4.698

SIQUEIRA, M. M. M. Antecedentes de comportamento organizacional. 1995. Tese.

TABACHNICK, B. G.; FIDELL, L. S. Using multivariate statistics. Boston: Allyn and Bacon, 2001.

VELOSO NETO, H. Estratégias organizacionais e riscos psicossociais. International Journal on Working Conditions, n. 9, 2015.

Publicado

2026-07-21

Como Citar

Fidelis, A. C. F., Dantas , A. M. S. D. A., & Formiga, N. S. (2026). Suporte Organizacional e Transtorno Mental Comum: O Efeito Mediador da Qualidade de Vida na Inibição da Ansiedade, Depressão e Estresse em Servidores do Ministério Público no Estado do Ceará (Brasil). Journal of Interdisciplinary Lifestyle Studies, 14(lifestyle), e02059. https://doi.org/10.19141/jils.v14ilifestyle.2059
Share |